Jornada de Integração da Suframa impulsiona investimentos e inovação no Amapá
A programação da Jornada de Integração Regional e Interiorização do Desenvolvimento no Amapá foi encerrada nesta sexta-feira (24), no município de Santana (a 20 quilômetros de Macapá). A iniciativa buscou avaliar os impactos das ações e projetos voltados ao fortalecimento da infraestrutura logística, estímulo à inovação e promoção do desenvolvimento econômico regional.
A agenda incluiu visitas à Companhia das Docas de Santana (CDSA) e à área portuária, além de reunião institucional com o prefeito Sebastião Bala Rocha e sua equipe. A comitiva também esteve no HUB de Inovação de Santana — resultado de parceria entre a prefeitura e a Associação Inova Cumaú — e finalizou as atividades no Engenho Café de Açaí.
Na CDSA, o grupo, liderado pelo superintendente Leopoldo Montenegro, foi recebido pelo prefeito Sebastião Bala e pelo presidente da companhia, Edival Tork. Durante o encontro, foram apresentados avanços na estrutura portuária, incluindo a implantação do pátio de contêineres, ainda em fase de consolidação logística.
Segundo o prefeito, o porto tem registrado crescimento contínuo ao longo da atual gestão. A movimentação anual, que era de cerca de R$ 13 milhões, chegou a R$ 43 milhões em 2025 e pode alcançar R$ 60 milhões em 2026.
O avanço é impulsionado por concessões e pelo fortalecimento de corredores comerciais, com destaque para o transporte de farelo de soja vindo de Miritituba. A empresa Rocha Terminais Portuários, que assumiu concessão em 2025, projeta movimentar entre 3 e 4 milhões de toneladas de grãos e já constrói um novo terminal.
Também integra o plano de expansão a área para armazenamento de cavaco de eucalipto, destinado à exportação. Em fevereiro, leilão definiu a Jota Simões como operadora de parte das atividades. Atualmente, o porto movimenta principalmente grãos, minério e cavaco de madeira, consolidando-se como ativo estratégico e superavitário para a economia regional.
Avanços
Ao término da conversa, a comitiva da Suframa foi apresentada a projetos e investimentos cujos resultados têm sido impulsionados no campo da pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I). Entre os quais está o Hub de inovação Santana, que é executado pela prefeitura local e a Associação Inova Cumaú.
Desde 2023, já foram viabilizar cerca de R$ 15 bilhões para o município em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) no Amapá, com apoio da política da Lei de Informática da Zona Franca de Manaus.
Os números foram destacados pelo superintendente Leopoldo Montenegro, ao enfatizar que a maior parte das startups que acessaram esses recursos é de Santana, o que mostra uma forte vocação empreendedora da região, segundo ele.
“Essas empresas estão conseguindo transformar ideias em negócios e captar investimentos importantes que antes ficavam concentrados em Manaus. Nós também estamos trabalhando para ampliar parcerias com empresas de logística de Manaus, especialmente para fortalecer oportunidades no setor portuário e industrial, conectando essas iniciativas ao que já é desenvolvido aqui. E coloco toda a equipe da Suframa à disposição nesse processo”, sugeriu o superintendente. “Antes, esses recursos ficavam concentrados em Manaus, mas nós iniciamos um processo de descentralização para que outros estados, como o Amapá, também fossem beneficiados. Para isso, o estado se estruturou com institutos, startups, incubadoras e aceleradoras, o que permite hoje captar e aplicar esses recursos no desenvolvimento regional”, acrescentou.
Visita
Após a reunião nas Docas, a comitiva seguiu para o local onde funciona o Hub de Inovação de Santana, onde foram recebidos pelo diretor-presidente da Associação Inova Cumaú, Michael Carvalho, e representantes da prefeitura.
O projeto tem como objetivo estruturar um ambiente voltado ao desenvolvimento de startups, tecnologia e soluções inovadoras, fortalecendo a economia local e ampliando oportunidades de geração de emprego e renda. A proposta também busca aproximar o poder público, a iniciativa privada e o meio acadêmico em torno de projetos estratégicos, especialmente nas áreas de bioeconomia e desenvolvimento sustentável.
Com a implantação do hub, Santana passa a integrar um movimento crescente na região Norte de incentivo à inovação como vetor de desenvolvimento econômico, buscando posicionar o município como referência regional em tecnologia e empreendedorismo.
Café
A última parada das agendas da tarde foi no Engenho Café de Açaí, localizado na BR-210, bairro Lagoa Azul, e que atende a toda a região metropolitana, incluindo Santana. A equipe teve como anfitriões o casal de empresários Lázaro e Valda Gonçalves.
O Engenho Café de Açaí é uma empresa amapaense que também atua na região de Santana, e ficou conhecida por produzir um tipo de “café” feito a partir do caroço do açaí torrado e moído — uma bebida inovadora da Amazônia.
A produção começou em 2011, de forma meio que inusitada, como explica Lázaro Gonçalves. “Percebemos esse problema ambiental muito grave, não só no estado da Amapá, mas em toda a Amazônia, que é o descarte irregulado dos resíduos de açaí, que são os caroços. Nós iniciamos as pesquisas em 2011, em 2017 nós procuramos o Sebrae, que ainda não tinha nada para nos oferecer em relação ao que fazer com esse resíduo. Percebemos ao longo da pesquisa, que já existiam projetos voltados ao reaproveitamento do caroço de açaí, como carvão, como biofertilizante, biojóias, mas nada relacionado à alimentação humana. Foi aí que a gente resolveu inovar, utilizar esse caroço, torrar ele e fazer uma espécie de café”, relata.
O negócio cresceu tanto que, a produção saltou de 600 quilos em 2014, para 2,5 toneladas nos dias atuais. Nos últimos quatro anos, a empresa recebeu certificações orgânicas no Brasil, Estados Unidos, além do selo de origem do Amapá, na conformidade vegana e iniciativas tratadas também com a China, para exportação dos produtos.
À Suframa, os empresários também socializaram a ampliação do portfólio, com uma nova linha a ser lançada em breve que reúne açaí com cumaru, camu-camu, em lata, como bebidas energéticos.
Outro registro importante é que o projeto já ficou em primeiro lugar no Pitch Day promovido pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento da Amazônia (Idesam) no Amapá e recebeu um aporte de R$ 500 mil pelo PPBio. “Foi uma virada de chave, porque nossa empresa estava no começo e esse apoio se transformou em escada para o nosso crescimento. Com esse recurso, conseguimos desenvolver o café de açaí, o blend e as cápsulas, e hoje estamos consolidados no mercado, exportando e criando novos produtos”, afirmou Valda, destacando que o apoio inicial foi decisivo para transformar uma ideia em um negócio de alcance internacional.
Oportunidades
A quarta edição da Jornada realizada em Macapá (23 e 24 de abril) teve como foco a divulgação de oportunidades de investimento, incentivos fiscais e programas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) na região. O evento reuniu empresários, gestores públicos, estudantes e representantes do ecossistema de ciência e tecnologia, com apoio da Setec.
Foram apresentados avanços nos investimentos na Amazônia Ocidental e no Amapá, que ultrapassam R$ 15 milhões em Macapá, um crescimento expressivo em relação aos anos anteriores.
Também foi destacado o potencial de ampliação do número de empresas cadastradas na Suframa, hoje em 3.680 no estado.
Entre os destaques, houve a certificação de R$ 500 mil para um projeto de bioeconomia na piscicultura e a assinatura de cooperação para o desenvolvimento de uma plataforma de visão computacional voltada à segurança pública, com investimento de R$ 2,4 milhões.
A programação incluiu ainda apresentações técnicas, reuniões estratégicas, Pitch Day e visitas a instituições de ensino e inovação. O evento foi marcado pela defesa da articulação regional como elemento essencial para o desenvolvimento sustentável do Amapá.
Informações: imprensa@suframa.gov.br
