Quarta com petróleo em alta e mercado à espera do Fed
Os mercados financeiros abriram esta quarta-feira (29) em compasso de espera, com o petróleo em forte alta e o apetite por risco condicionado à decisão de juros do Federal Reserve, esperada para as 15h (horário de Brasília).
A expectativa predominante é de manutenção da taxa entre 3,5% e 3,75%, mas os investidores estarão especialmente atentos na coletiva de imprensa do presidente do Fed, Kevin Warsh, que deve trazer sinalizações sobre os próximos passos da política monetária americana em meio a pressões inflacionárias persistentes.
Essa fala, além dos dados econômicos domésticos, poderá influenciar o Banco Central do Brasil, que se reunirá na semana que vem para anunciar a sua decisão sobre a nossa taxa de juros.
O petróleo subiu bastante com a escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã, que voltaram a trocar ataques no Oriente Médio, reacendendo temores sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo.
O WTI avançava mais de 3,6%, a 82,13 dólares o barril, enquanto o Brent subia cerca de 3,4%, para 84,85 dólares. O minério de ferro fechou em queda de 0,27% em Dalian, na China, cotado a 109,20 dólares a tonelada. O Bitcoin também operava no positivo, cotado perto de 64.400 dólares, alta de cerca de 1,4%, com o Ethereum subindo na mesma direção.
Na Ásia, o pregão fechou misto: Hong Kong e Xangai subiram, enquanto Tóquio recuou, puxada pela queda de fabricantes de chips, pressionados por dúvidas sobre a sustentabilidade dos investimentos bilionários em inteligência artificial.
Na Europa, as bolsas operavam sem direção única, e os futuros de Nova York oscilavam perto da estabilidade, à espera também dos balanços de Meta Platforms e Microsoft, que serão divulgados hoje após o fechamento do mercado americano.
No Brasil, o clima é de otimismo moderado. O Ibovespa fechou terça-feira em alta de 0,70%, aos 176.564,75 pontos, impulsionado pela desaceleração do IPCA-15, que reforçou apostas de novos cortes de juros pelo Banco Central.
O dólar, por sua vez, subiu levemente, cotado perto de 5,12 reais. A temporada de balanços também movimentou o mercado local.
A Petrobras registrou produção recorde de 3,336 milhões de barris de óleo equivalente por dia no segundo trimestre, alta de 14,1% ante igual período de 2025, enquanto o Santander Brasil decepcionou ao reportar lucro líquido gerencial de 3 bilhões de reais, queda de 17% na comparação anual.
A quarta-feira, portanto, combina cautela geopolítica, expectativa por sinais do Fed e sinais positivos vindos da economia doméstica, um equilíbrio que deve seguir ditando o humor dos investidores brasileiros e internacionais até o fim do pregão.
