Coluna

Dia do Orgasmo: como diferentes culturas enxergam o ápice do prazer

Celebrado nesta sexta-feira (31/7), Dia do Orgasmo vai muito além da ideia de comemorar o prazer. A data abre espaço para discutir como a sexualidade é encarada em diferentes partes do mundo e como crenças culturais podem influenciar, positiva ou negativamente, a relação das pessoas com o próprio corpo.

Embora o orgasmo seja uma experiência fisiológica, a forma como ele é vivido está longe de ser universal. Em entrevista à coluna, a sexóloga Stephanie Seitz destaca que diferentes sociedades construíram visões distintas sobre o tema ao longo da história, e isso ajuda a explicar por que tantas pessoas ainda enfrentam culpa, ansiedade ou dificuldade para sentir prazer.

O que dizem as diferentes culturas

Em tradições orientais, por exemplo, o prazer costuma estar ligado ao equilíbrio entre corpo e mente, sem que o orgasmo seja visto como o único objetivo da relação sexual.

Já em muitos países ocidentais, consolidou-se durante décadas a ideia de que alcançar o orgasmo era uma espécie de meta, o que pode aumentar a pressão e a frustração durante o sexo.

“Isso nos mostra que a forma como vivemos a sexualidade é profundamente influenciada pela cultura. Muitas vezes, os bloqueios não estão no corpo, mas nas crenças que aprendemos ao longo da vida”, ressaltou a especialista.

  • Entre as práticas mais conhecidas está o tantra, de origem indiana, que propõe desacelerar, ampliar a consciência corporal, investir na respiração e valorizar todo o caminho até o prazer — em vez de se concentrar apenas no orgasmo.
  • taoísmo chinês, por sua vez, incentiva o relaxamento, uma maior percepção da energia sexual e fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico.

Vale lembrar

Apesar de existir uma infinidade de formas de alcançar o ápice, Stephanie reforça que não há uma técnica capaz de funcionar para todas as pessoas.

“O melhor caminho é experimentar com curiosidade, sem pressão por resultados. Reservar tempo, diminuir distrações, investir nas preliminares e manter uma comunicação aberta com o parceiro”, lembra.

A especialista ainda acrescenta que a capacidade de chegar ao orgasmo não depende apenas de estímulos físicos, com aspectos emocionais e psicológicos exercendo um papel decisivo nesse processo.

“Na prática clínica, percebemos que o cérebro é o maior órgão sexual do corpo. Ansiedade, estresse, excesso de cobrança, vergonha, medo de julgamento, conflitos no relacionamento e baixa autoestima podem dificultar muito mais o orgasmo do que qualquer questão física”, enfatiza.

Além disso, educação sexual recebida ao longo da vida também influencia. Quem cresceu ouvindo que “sexo é pecado” ou que “sentir prazer é errado” pode carregar essas crenças para a vida adulta, criando barreiras que dificultam viver o próprio erotismo de forma leve e saudável.

Lição que fica

Por último, a sexóloga salienta que, independentemente da cultura ou do nível de experiência sexual, a principal lição é desacelerar. Segundo ela, reduzir tabus, incentivar o autoconhecimento e tratar o tema com informação pode ajudar mais pessoas a viverem seus desejos sem culpa e sem pressão.

“Principalmente quando envolve o prazer feminino, esse tabu faz com que muitas pessoas convivam com dificuldades sexuais sem buscar ajuda, sintam culpa pelo próprio desejo ou acreditem que o orgasmo é um privilégio de poucos. Além disso, quando deixamos de transformá-lo em obrigação, paradoxalmente ele tende a acontecer com mais naturalidade”, conclui.

Fonte:

https://www.metropoles.com/colunas/pouca-vergonha/dia-do-orgasmo-como-diferentes-culturas-enxergam-o-apice-do-prazer